quarta-feira, 21 de março de 2012

Só a Natureza é divina, e ela não é divina...

Só a Natureza é divina, e ela não é divina...

Se às vezes falo dela como de um ente

É que para falar dela preciso usar da linguagem dos homens

Que dá personalidade às coisas,

E impõe nome às coisas.

Mas as coisas não têm nome nem personalidade:

Existem, e o céu é grande e a terra larga,

E o nosso coração do tamanho de um punho fechado...

Bendito seja eu por tudo quanto não sei.

Gozo tudo isso como quem sabe que há o sol.


“O Guardador de Rebanhos”. Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Nota explicativa e notas de João Gaspar Simões e Luís de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1946.


Porque é o Dia Mundial da Poesia, nada melhor que citar Fernando Pessoa. Porque começou a Primavera, ninguém melhor que seu heterónimo Alberto Caeiro!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Preciso de ar. Tenho a boca cheia de palavras que não quero pronunciar. Tenho o coração a fumegar.

"The siren come calling, calling
It's driving me evil, evil."

Siren Song, Bat for lashes

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

I feel I'm heading down

There's no salvation for me now
No more space among the clouds
And i feel i'm heading down
But that's alright…


Quando até o que se tem de mais certo corre mal, parece que o chão foge dos pés...e eu penso: Que fuja! Foge...porque já nem forças para correr atrás desse chão eu tenho. O amontoado de situações é tão grande que mesmo as questões mais simples ficam sem solução.
O pior de tudo é quando parece que deixámos de ter controlo sobre a própria existência. Pois bem, é o que está a acontecer comigo...
Os eventos, aparentemente aleatórios, ocorrem à minha volta, sem que tenha tempo de lhes prestar a devida atenção. Quando finalmente as coisas começam a fazer sentido, vem mais um acontecimento para mudar o rumo da história, e mais uma vez para me fazer crer que eu querendo ou não as coisas acontecem sem que eu tenha o direito de me pronunciar.
Se acredito em destino? claro! mas também acredito que as encruzilhadas existem, e em vários momentos da existência humana, é o protagonista da história que escolhe o seu caminho. O pior é que nesses momentos-chave ele não percebe que está a fazer uma escolha.
Talvez toda esta taquicardia que me tem vindo a acompanhar seja pela proximidade da encruzilhada...sei que ela está perto...só não consigo visualizar quando, nem até que ponto terei livre-arbítrio suficiente para escolher o caminho
.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Cores que se sentem


"As cores explodem. Continuam a explodir. Não param na escuridão de quem as pinta. Porque nascem na memória de um Homem com excesso de energia.(...) Guima é um turbilhão de onde as emoções viajam. Transporta consigo próprio a força de uma vida que se foi gastando à custa de tanto imaginar a realidade. Sente-se nele a certeza e angústia. Percebe-se a luta mesmo quando se pressente a derrota. Sempre na perspectiva de uma vitória sobre as limitações do Mundo ou do seu próprio corpo.(...) Guima é ausência de ódio. O Tolerante transeunte que todos gostamos de encontrar pelo menos uma vez na vida. O Homem que não se queixa das suas próprias dores mas da sociedade que não permite direitos iguais para todos."
Carlos Magno


Eu tive a honra de encontrar este "Tolerante transeunte" e admito que os breves momentos que conversei com Guima foram sublimes. Sem dúvida um pintor brilhante, com uma vida repleta de surpresas, umas agradáveis, outras nem tanto...mas Guima continua a admirar o Mundo e a pintar a vida como se de uma gigante tela se tratasse.